Canetas-tinteiro

Gosto muito de canetas. Gosto de escrever à mão, ainda que nunca vá muito além de notas, lembretes, bilhetinhos. Mas acho triste que a gente tenha perdido o hábito.

A coisa já ficara feita quando popularizaram a esferográfica. Explico: a caneta-tinteiro, mesmo essas de cartucho, exige calma, o correto posicionamento da pena, a pressão adequada dela sobre o papel, uma certa sincronia entre pensamento e escrita. Enfim, o uso da caneta-tinteira faz do próprio ato de escrever uma arte. Aliás, a caligrafia sempre foi uma arte e até hoje, pelo que ouvi dizer, a qualidade do desenho dos ideogramas é indissociável do conteúdo do poema no haicai japonês.

Óculos e relógio herdados de meu amigo Sérgio Ilha. Canivete e Parker azul e prata herdados de meu pai. Esferográfica em ouro, presente da Cláudia Barcelos. A Porsche platina com pena de ouro, presente da Paloma Perez. As Stabilo coloridas eu mesmo comprei.

A mim, caneta-tinteiro lembra meu pai que só largou sua Parker acho que 45 muito tento depois do advento das esferográficas. Essa caneta perdeu-se, mas no inventário das coisas de minha mãe, achei uma outra Parker, mais modesta que eu o presenteei num longínquo e esquecido Dia dos Pais. Sei porque restou o bilhete-dedicatória escrito com letrinha de menino.

Pois agora Paloma me presenteou também com uma Porsche. Linda!

Se você fizer uma pesquisa na internet, vai descobrir que caneta-tinteiro é mais uma dessas discretas paixões capazes de mobilizar um bando de gente mundo afora. Acho essa umas das graças da rede.

Este site é bem legal, mas há milhares de outros. Também é legal circular pelo E-Bay para comprar ou simplesmente cotar canetas.